Como você enxerga o seu corpo? Será que seu corpo é mesmo da forma como você o vê, ou esta imagem é distorcida? Não é à toa que o Brasil é o segundo país com o maior número de cirurgias plásticas realizadas no mundo, perde apenas para os Estados Unidos. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a média é de 500 mil cirurgias por ano. A insatisfação dos brasileiros com o próprio corpo também está explícita no ranking mundial de consumo de moderadores de apetite: o Brasil é campeão e lidera com o consumo diário de 12,5 por mil habitantes.

 

É dessa insatisfação que muitas vezes surgem as Doenças da Beleza, objeto de estudo e de intervenção terapêutica realizadas no Núcleo de Doenças da Beleza do LIPIS na PUC-Rio.

 

Após 10 anos em pesquisa de campo em academias e ante-salas de clínicas de cirurgias plástica e grupos de pacientes à espera de gastroplastia redutora, o resultado foi uma tese de doutorado , tranformada em livro. Um retrato comportamental sobre a relação da mulher com a ditadura da beleza e a busca incessante pelo corpo perfeito é apresentado em uma versão bem-humorada, no livro O intolerável peso da feiúra. Sobre as mulheres e seus corpos, Rio de Janeiro. Ed.PUC/Garamond (2006).

"O que começou como um trabalho sobre a beleza e seu impacto social, acabou se transformando num retrato comportamental que pode ser considerado quase um padrão entre mulheres pobres, ricas, jovens, de meia-idade, brancas ou negras. A questão da obesidade é muito forte e tem impacto social inigualável. Por isso, proponho uma 'ação afirmativa' para os gordos, vítimas de um implacável preconceito social".

 

O livro traz relatos impressionantes e comoventes reafirmando sua crítica ao comportamento contemporâneo. A ironia, contudo, não é deixada de lado, tornando o texto agradavelmente leve no rigor de sua análise. Tem apresentação da antropóloga Ilana Strozenberg, Professora da Escola de Comunicação da UFRJ, orelha de Ricardo Vieiralves de Castro, Professor do Programa de Psicologia Social e Reitor da UERJ e quarta capa assinada por Monique Augras, Professora Titular da PUC-Rio. (ver link do livro em Pesquisa & Publicações)

 

Núcleo de Doenças da Beleza

O Núcleo está voltado para o atendimento psicológico de portadores de distúrbios relacionados à imagem corporal. Anorexia, bulimia, obesidade, cirurgias plásticas, bariátricas e ginecologia estética são trabalhadas em uma perspectiva multidisciplinar. O projeto contempla, além da comunidade PUC, o atendimento em hospitais da rede pública. São consultores externos do projeto uma psiquiatra, Dra. Luciana Miguel, Dr.Paulo Athayde Lopes, cirurgião, Dr. Cláudio Rebello cirurgião plástico, chefe do setor de cirurgia plástica do Hospital Municipal Barata Ribeiro, Dr. Marcelo Lemgruber, ginecologista, obstetra e cirurgião. Os atendimentos são realizados na PUC ou em consultório privado dependendo da disponiblidade do paciente. Os contatos podem ser feitos pelos e-mails lipis@puc-rio.br ou através deste site. 

Transtornos Alimentares

Transtornos Alimentares se caracterizam pela distorção da imagem que os pacientes têm sobre si mesmos e configuram uma adição, ou seja, uma compulsão o que significa dizer que o sujeito não tem controle racional sobre o que está fazendo. Os TAS têm origem multifatorial, sob inúmeras variáveis tais como a influência cultural, o histórico de doença familiar do sujeito e dentro desse item sua predisposição genética para desenvolver determinadas patologias. Da mesma forma, o tratamento é muldisciplinar devendo contemplar o acompanhamento psiquiátrico (uso de anti-depressivos do tipo fluoxetina) psicológico/terapêutico e nutricional. 

A cultura atual estimula fortemente todos os tipos de compulsão e adição, pois a sociedade de consumo é focada no excesso e é pela via do consumo desenfreado que se busca prazer e satisfação. A atual sociedade é bulímica uma vez que incita o sujeito a consumir desmesuradamente. Mas é paradoxalmente anoréxica já que a regulação social é extrema e o padrão estético vigente é o do corpo fat free. Os padrões de beleza típicos da era moderna dizem que mulheres devem ser muito magras e homens muito fortes, e essa ditadura agrava a incidência de Anorexia, Bulimia, Vigorexia e Síndrome do Comer Compulsivo. 

Pessoas que sofrem destes problemas muitas vezes não procuram tratamento porque não se consideram doentes. "É importante que os pais observem seus filhos, pois os transtornos alimentares, geralmente, têm início na adolescência. Como são doenças de fundo psíquico, é fundamental que a pessoa seja acompanhada por um profissional de psicologia. É preciso acabar com o preconceito discriminatório que exclui quem é diferente do padrão imposto. Devemos reavaliar os nossos valores para que estes não sejam fundamentados em conceitos tão efêmeros como a imagem do corpo.

Anorexia
Transtorno alimentar onde a busca implacável pela magreza leva a pessoa a recorrer a estratégias para perda de peso como, por exemplo, comer apenas biscoito creme cracker ou só ingerir líquido. As pessoas anoréxicas apresentam um medo enorme de engordar, mesmo estando extremamente magras. É uma doença com riscos clínicos, podendo levar à morte por desnutrição.

Bulimia
Diferentemente da anorexia nervosa, na bulimia não há perda de peso. Assim, médicos e familiares têm dificuldade de detectar o problema. As pessoas que sofrem de bulimia ingerem grandes quantidades de alimentos e depois utilizam métodos compensatórios, como vômitos auto-induzidos, uso de laxantes e/ou diuréticos e prática de exercícios extenuantes como forma de evitar o ganho de peso pelo medo exagerado de engordar.
 

Vigorexia
O vigorexo se olha excessivamente no espelho e utiliza o exercício de forma compulsiva e patológica, prejudicando o organismo e apresentando uma dependência física e patológica. Os portadores desse transtorno são geralmente musculosos, passam horas na academia malhando e ainda assim se consideram magros e até esqueléticos. A vigorexia causa problemas ósseos e articulares devido ao excesso de peso levantado na academia, falta de agilidade e encurtamento de músculos e tendões. Causa ainda um desgaste orgânico e mental como estresse, insônia, desinteresse sexual, falta de apetite, irritabilidade, fraqueza e cansaço.
 

Síndrome do Comer Compulsivo
Caracterizada por episódios de ingestão exagerada e compulsiva de alimentos, a síndrome é geralmente acompanhada de uma sensação de falta de controle sobre o ato de comer, sentimentos de culpa e de vergonha. O transtorno do comer compulsivo é encontrado em cerca de 2 % da população em geral, mais freqüentemente acometendo mulheres entre 20 e 30 anos de idade. Muitas pessoas com essa síndrome são obesas, ou apresentam grande variação de peso. A comida é usada como artifício para que o sujeito consiga lidar com problemas psicológicos.

Abaixo alguns artigos que ilustram os temas abordados

 

NOVAES. (2009) Sobre uma falta que o excesso não cobre.Reflexões clínicas acerca de uma jovem obesa e suas relações familiares. Revista Mal-Estar e Subjetividade.Vol. IX. n.4 pp 1253-1278

http://www.unifor.br/images/pdfs/subjetividade/artigo8_2009.4.pdf

 

 

 ROCHA,L., VILHENA,J.V.& NOVAES, J. V. (2009) Obesidade Mórbida: Quando Comer Vai Muito Além do Alimento. Psicologia em Revista.Belo Horizonte. PUC-MG N.02, Vol. 15, PP 77-96.

http://periodicos.pucminas.br/index.php/psicologiaemrevista/article/view/889/870

 

 

NOVAES, J.V. (2008) Vale quanto pesa. Sobre mulheres, beleza e feiúra In Cassotti,, Suarez & Campos (orgs) O Tempo da Beleza. Consumo e Comportamento feminino. Novos Olhares. Rio de Janeiro, SENAC. 

Novaes, J.V., Vilhena,J.,  & Lemgruber, M.(2008) Sexualidade feminina e envelhecimento: apenas uma questão cirúrgica?Algumas considerações acerca das cirurgias estéticas ginecológicas. Revista Polemican.23.UERJ.
http://www.polemica.uerj.br/pol23/oficinas/LIPIS_1/lipis_1_2.htm 

NOVAES, J. V. (2007). Auto-retrato falado. Construções e desconstruções de si. Latin American Journal of Fundamental Psychopathology online, v. 7, p. 131-147. http://www.fundamentalpsychopathology.org/journal/07-11/2-1_res.html 

NOVAES, J.V.(2006) No mundo das mulheres, feiúra não entra. A beleza como capital. IN. Revista Polêmica. Rio de Janeiro.
UERJ.
http://www2.uerj.br/~labore/revistapolemica.htm 

NOVAES, J.V. (2006) Meu corpo, minha prisão. II Congresso Internacional de Psicopatologia Fundamental. Belém, setembro de 2006.
http://www.fundamentalpsychopathology.org/anais2006/4.5.3.1.htm


NOVAES, J.V. (2005) A falta que o excesso traz. Reflexões clínicas acerca do atendimento a uma jovem obesa. Cd-Rom dos Anais do III Simpósio Clínico do Centro de Investigação e Atendimento Psicológico-CIAP. Rio de Janeiro. PUC-Rio.
 NOVAES, J.V. (2005) Ser feia, ser mulher, ser excluída.
http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos/A0237.pdf